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Banheiro Seco


Banheiro Seco: permacultura sem barreiras!

Não é recente a prática de não misturar fezes com a água potável. Essa técnica é herança de vários povos, dentre eles os orientais, que já faziam isso para aproveitar os resíduos sólidos e poupar a água tratada. Desde então, os problemas com os recursos hídricos em alguns países impulsionaram o desenvolvimento de tecnologias para o saneamento e a agricultura.

Quando introduzido no Brasil pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado – IPEC, localizado em Pirenópolis (GO), pela pessoa de Walter Oliveira, o objetivo era transformar os dejetos humanos em adubo orgânico, cuja importância para a agricultura é muito grande. E deu certo! O Húmus sapiens, como foi batizado, tem ganhado referência nas técnicas de planejamento habitacional, promovendo um viver sustentável, pois não contamina os lençóis freáticos e mananciais.

Há diversos modelos que podem ser aplicados a variados tipos de climas, relevos e para as diferentes necessidades. Em relação ao relevo, os montanhosos são considerados excelentes para a construção dos sanitários compostáveis.

Várias são as vantagens dessa tecnologia alternativa que vem livrando as pessoas da famosa “fecofobia”. Uma delas é não misturar fezes com água potável, outra é a produção de húmus, o que antes era esgoto, depois se torna uma mina de nutrientes. Sem contar que não favorece o aparecimento de agentes causadores de doenças, não requer instalações hidráulicas, é de fácil manuseio, de custo operacional baixo, e poupa o meio ambiente e seus recursos.
São três as características que descrevem o sanitário ecológico como princípio básico da permacultura:

1. Seco: porque não utiliza ou desperdiça água;
2. Compostável: onde através de um processo bioquímico, transforma os dejetos em composto orgânico fértil e livre de agentes patogênicos;
3. Ecológico por se aproveitar dos ciclos biológicos naturais
.

E são três as partes que compõem o sanitário: a cabine de uso; duas câmaras de compostagem, de onde o dejeto vai direto para o minhocário, onde é produzido o húmus e o sistema mecânico de adição de material orgânico seco rico em carbono, como serragem, aparas de grama e cascas de arroz.

Mas a pergunta que não quer calar é: Esse negócio de banheiro sem descarga não cheira mal?
Após o uso, ao invés da descarga, é adicionado o material orgânico seco mencionado, para facilitar a compostagem, ajundando a reter o odor fétido. Além de não se ter contato visual com o dejeto, as câmaras de compostagem ficam abaixo do vaso sanitário, promovendo o aquecimento solar e a ventilação do material, por um duto ou chaminé tornando o sanitário inodoro.

Então, se tudo for feito direitinho, não haverá problemas com o banheiro ecológico.
Parece um tanto quanto antiquado não é? Porém gastar litros e litros de água potável por dia para satisfazer nossos caprichos higiênicos, favorecendo para degradação dos nossos recursos é mais ainda. Portanto, construa essa idéia!

Foto Ilustrativa:

Vista Traseira e Perfil Interno do Banheiro Ecológico

Para saber mais sobre o Húmus Sapiens acessar: www.ecocasa.com.br

Data: 22-01-2008
Canal: Permacultura

 
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